segunda-feira, 26 de maio de 2008

Cansei.....
Cansei de ser profunda...
Acordei com uma necessidade extremamente absurda de ser rasa. Quero me afogar na superficialidade exposta nas vitrines dos shoppings, nas rodas dos carros e nas capa das Caras.
Quero me jogar de cabeça (e arrebentar o meu crânio) nos romances baratos, nas novelas, nos ícones fashionistas. Quero repetir a sábia frase de Mrs Beckham: “é exaustivo ser fabulosa!!!” e pior.... quero acreditar nisso.
Toda essa minha profundidade cultivada durante anos de absoluta devoção ao artístico e ao filosófico me levou a um ponto onde ninguém quer me alcançar.... me afoguei em mim mesma.
Tenho pensado tanto e analisado tanto que esqueci de dedicar tempo pra viver.
Sou uma viciada em procurar sentidos e razões e acabei esquecendo da existência do acaso.
Nada mais me surpreende e nada mais me seduz e o aspecto mais triste é que acabo não surpreendendo mais ninguém e sou tão sedutora quanto uma planilha de excel.
Tenho a necessidade de buscar o fundo da profundidade, meter os dois pés no chão e dar um impulso sem fim.... sem razão e ao acaso.
Preciso perder o medo da incoerência e da humanidade.
Preciso parar de pensar em tudo.
Preciro aprender que flutuar pode ser mais divertido do que ir ao fundo.
Preciso voltar ao raso, ao simples ao que é simplesmente gracioso mesmo não sendo significativo.
Preciso parar de racionalizar a diversão e começar a me divertir mesmo que sem razão.


Ms Ladybug

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Foi mais um ano durante o qual eu fiquei esperando que a vida acontecesse, e talvez ela tenha acontecido. Digo talvez, porque tenho a impressão que eu estava tão ocupada esperando alguma coisa que acabei esquecendo de prestar atenção no que acontecia ao meu redor.

Bem, fazendo um balanço:

- Mudei de cidade, mudei de casa, e tive certa ascensão no trabalho.
- Descobri, quando estava indo embora, que tinham alguns amigos que são mais amigos do que eu pensava e alguns menos.
- Tentei esquecer e superar uma dor daquelas que vão minando toda a auto confiança da gente, não consegui, mas sobrevivi (será isso uma vitória?)
- Realizei alguns sonhos (sim!!!!!!! Estou confessando uma certa felicidade!!!!!)
- Fotografei menos do que queria e acho que isso foi falta de dedicação a um esporte pouco difundido... a contemplação.
- Tive dias gloriosos e entre cada um deles um mar de mediocridade.
- Senti saudades!!!!!!!! Reflexo do meu envelhecimento. Saudade pode ser uma coisa boa, afinal, só temos saudades de momentos bons. Mas está chegando a fase onde tenho muitas lembranças que me deixam saudosa e a sensação de que eu deveria passar mais tempo gerando lembranças do que pensando nelas está começando a incomodar.
- Me diverti com a família, com os AMIGOS e sozinha. Mais uma vez aquele sentimento ultra paradoxal... me divertir sozinha é bom?
- Chorei alguns rios (a maioria das lágrimas endereçadas a um destinatário nada interessado nessa remessa)
- Ri.... ri muito... o que é meio inerente a minha personalidade, afinal, na dúvida, ria, nem que seja pra disfarçar.
- Gastei tempo demais pensando em como as coisas seriam se a possibilidade de que elas tivessem acontecido de outra forma realmente existisse. Trocando em miúdos: DESPERDICEI MUITO TEMPO!!!!!!!
- Brinquei de negar veementemente o óbvio, de adiar o urgente, de repetir enganos...
- Formatei, deletei, adicionei, bloqueei, configurei, publiquei, alterei...
- Não agreguei nenhum conhecimento realmente significativo (apesar de que acho a introdução da palavra epifania ao meu vocabulário um fato a ser comemorado)
- Li bons livros (menos do que deveria), escutei boa música (menos do que deveria), viajei (MUITO menos do que deveria)
- Não encontrei tempo pra me dedicar mais a mim, não encontrei vontade de fazer isso, não encontrei inspiração pra olhar no espelho pelo menos de vez em quando e dizer que gosto de mim mesma. Na verdade acho que não encontrei coragem de me olhar no espelho...

Enfim.... foi um ano... bom ou ruim... depende do prisma, da vontade, da inspiração, do clima.... no fundo, cada vez mais... vejo que depende de mim...

Ms Ladybug

sábado, 15 de dezembro de 2007

Pra aquele lugar...

De repente descobrimos que só andamos por caminhos previamente traçados e que até pra isso nossas pernas tornaram-se permanentemente reféns de escadas rolantes, elevadores e afins.
E aquela felicidade que tinham nos prometido e que estava prevista para os momentos de paz e harmonia junto com as pessoas que amamos foram trocados por coisas que o dinheiro pode comprar. A plenitude virou sapato, bolsa, gadgets ou qualquer outra coisa que distraia a nossa atenção.
E os amigos de festa tomaram o lugar dos bons amigos porque notamos que até os bons amigos desapareceram quando a festa acabou.
E gastamos as nossas vidas contando calorias, queimando gorduras, alisando cabelo, comparando as pessoas e seguindo padrões não fazem sentido e custam a infelicidade coletiva.
Corremos na esteira indo a lugar nenhum...
Pedalamos uma bicicleta que não sai do lugar...
Gastamos horas no trânsito encarando a mesma paisagem sem nem mesmo notar que estamos parados!
Não sobra tempo para notar que nos alteramos, nos renovamos, nos inventamos e reinventamos pra conseguir acompanhar um mundo que não acompanha as nossas necessidades.
E quando procuramos alguém pra nos ouvir, só encontramos pessoas tão carentes de atenção quanto nós mesmos. Quando procuramos um ombro amigo, encontramos mais uma cabeça a ser escorada. Quando pensamos que finalmente chegou a nossa vez... descobrimos que a fila é imensa e que somos apenas mais um dos que querem mandar o mundo pra aquele lugar!!!

Ms Ladybug

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Surpresas da vida

Sabe... eu ainda me surpreendo com algumas coisas, como as nossas vidas são imprevisíveis. É engraçado, às vezes você acha que conhece tão bem uma pessoa, e no final das contas não a conhece.
O mistério humano; é isso que torna as pessoas interessantes. Essa semana eu li um livro, um best seller japonês, escrito por uma garota da minha idade, o livro fala sobre o comportamento da juventude perdida e renegada do Japão.
Analisando bem o livro, na realidade se encaixa em qualquer grande centro urbano. Mas, onde eu quero chegar com isso?
O livro conta a história de uma garota chamada Lui, ela mora com um cara chamado Ama, não vou contar toda a história, mas, resumindo, os dois moravam juntos, viviam como um casal qualquer, só que um não sabia da história do outro, aliás, eles não sabiam nem os nomes reais um do outro! E apesar dela esnobar ele a todo instante, ela o amava, mas não dizia nada, aliás, nem ela tinha consciência disso...
Bom... lá pelas tantas do livro o Ama some... e ela não consegue nem dar parte na polícia porque ela não sabe o nome real dele! (hahaha... isso eu realmente achei muito absurdo...). E ela entra em desespero!
Essa semana aconteceu algo parecido só que com outro contexto, um casal que jurava amor eterno, se desfez. Jurava que os dois se conheciam profundamente, de um saber o que o outro pensa, e no fim, chegou-se a conclusão de que os dois não se conheciam...
Meio paradoxal não acha? Mas é bem isso que aconteceu...
Era o típico casal da propaganda de margarina, e no final mais parecia um casal de um conto de Nelson Rodrigues, a Vida Como Ela È...
E quer saber mais uma inversão? ELE está arrasado! Sim ARRASADO! E ela, pelo que percebi, está bem... curtindo a vida...
As mulheres reclamam que não existem homens bons por aí, mas fazer o que se quando elas encontram jogam fora por besteira? Foi esse o caso... nunca na vida dela ela vai achar outro homem como ele... pior que ela só vai se dar conta disso, quando estiver infeliz ou sozinha.
Ele? Vai se recuperar... com certeza... e vai achar uma mulher mais esperta e madura, e será feliz...

Porque eu resolvi escrever esse texto? Só pelo simples fato de existir muita mulher burra por aí... só isso... apenas um desabafo...


Texto: Lunna Malk

domingo, 25 de novembro de 2007

Tinha tudo pra ser uma daquelas manhãs simples e corriqueiras, que você sai de casa e pega o ônibus. Ou pega um equivalente, como no meu caso. E o equivalente é um caminhão. Não, sem brincadeira, ando de caminhão pra ir ao trabalho. Quase no estilo pau-de-arara. Mas, mais sofisticado, pois as cadeirinhas coloridas e o MP4 de plasma me colocam num status melhor que qualquer peão de cerrado ousaria imaginar.
Bem, e assim vou pensando na vida, escrevendo na agenda, vendo a paisagem, conversando e flertando com o cobrador... trivialidades.
Quantas vezes já me peguei não querendo ser óbvio!
Quantas vezes exitei pra não cair na mesmice!
E quantas vezes deixei de fazer algo simples porque não quis apelar pra crueldade de ser comum.
E no início dessa manhã algo me fez sair decidido a mudar coisas que a muito eu não ousava. Sabe-se lá, por medo de ser banal, de cair na rotina, de ser eu mesmo...
Sabe quando o sol invade a sala e você não está preparado pra luz, daí você fecha os olhos e esquece-se de ver os tons, as coisas boas, de sentir o calor, de saber das alegrias... por puro desacostume com a intensidade inicial?
Sabe o que engana mais?
Que esquecemos que a luz vai se apagando. Que o medo que sentimos por essa “intensidade inicial” se transforma em “fagulha final”, quando não atiçamos. E geralmente esperamos por novos e renovados fachos cegantes! Que é pra ter medo e justificar.
Porque, dá trabalho abrir os olhos... e renovar a si mesmo.
Oh, e como!

Texto: Accul Fauzi

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Ruído

Chega um momento do dia em que tenho vontade de sentir um silêncio absoluto, que todos ao meu redor desapareçam por alguns segundos. Mais uma vez culpo a sociedade de estarmos vivendo o caos sonoro. Vamos deitar acostumados com barulhos e ruídos de todos os tipos, é o som do transito caótico que não para, um grilo sobrevivente, passos no andar de cima, vozes em nossas cabeças.

Deitamos com essas vozes e acordamos com o som de um despertador irritante, um banho ouvindo o barulho insuportável do chuveiro, uma xícara de café aquecida pelo barulhento microondas que encerra sua sintonia com o "plim"que me avisa que já posso bebericar meu chá. Chá? Não era café? Nem eu sei mais! Uma buzina me desorientou. Estou perdendo a noção de
tempo, acho que o ambiente de trabalho contribuiu, e muito. Quem teve a idéia de unir duzentas pessoas no mesmo andar com as mesas lado a lado e apenas uma divisória e alguns centímetros de tecido para abafar todo aquele barulho?São quatrocentos telefones tocando, duzentos teclados vezes dez dedos digitando.

Nosso pensamento tem que gritar para ser ouvido com nitidez ao lado de tanta loucura. Nosso corpo disparou o alarme, mas estamos tão acostumados que o ignoramos, assim como ignoramos o alarme daquele carro lá embaixo, tocando a duas horas, e ninguém faz nada! Quem disse que não? E a janela de vidro duplo? Não é uma beleza? Ela nos traz um pouco de silêncio. Encontrei uma dessas para os pensamentos inquietos que não se calam nem um segundo no âmago do meu ser. Com raiva no quarto fechado e frio, coloquei a mão sob o travesseiro e pow! Tarde demais, eu poderia saber um jeito de deter esses monstros, mas agora eles não me pegam mais.






Texto: The Naked Runner
Ilustração: Há Fael

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Achei

Uma vez eu achei que tinha certeza do que eu queria, estava completamente errada.
E achei também que as pessoas realmente se interessavam pela beleza interior, que sendo boa, legal, solícita, companheira, culta e dedicada poderia me tornar uma pessoa interessante. Eu também estava errada, deveria ter investido mais do meu tempo em cultivar uma cintura fina, uma bunda empinada e um belo par de peitos.
Achei que estava cercada de grandes amigos, descobri que fui uma boa amiga pra vários, talvez até grande amiga pra alguns.. mas a contrapartida... prefiro nem fazer as contas, pois sei que também nesse aspecto da minha vida acabo perdendo.
Achei que nunca ficaria sozinha. Sim, eu tenho uma forte tendência a me iludir.
Achei que poderia escolher simplesmente não sofrer. MENTIRA!
Achei, ou melhor, decidi apostar na certeza de que quem eu amava (ou amo), merecia todo amor, carinho e admiração que eu dedicava a ele. Mais um grande erro. E imenso desperdício de tempo e sentimentos.
Achei que minha presença faria diferença, depois achei que a minha ausência faria. Descobri que muitas vezes simplesmente não faço.
Achei que o sucesso era a recompensa por um trabalho bem feito, e que ele vinha acompanhado de reconhecimento. Descobri grandes talentos extremamente esforçados, mas eternamente anônimos.
Achei que uma pessoa não poderia querer machucar outra deliberadamente e sem ter um forte motivo. Fui surpreendida pelo fato que tem gente que faz isso por diversão.
Já achei que felicidade fosse recompensa, também já achei que fosse destino, cogitei a idéia dela ser o caminho, consegui acreditar que fosse recompensa, pensei que poderia ser acidente ou incidente, questão de escolha, golpe de sorte, fator cármico, momentos, trajetória, estilo de vida, opção, roteiro e trilha sonora.
Hoje, tento não achar mais nada, porque acho que já nem tempo mais tenho pra isso.




Texto: Ms Ladybug

Ilustração: Há Fael