segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Das coisas que guardo em mim...

Guardo em mim fada encantada capaz de realizar todos os teus desejos Aquela que declara o amor incondicional e só tem olhos, ouvidos e vida se for pra você.
Guardo a mulher insegura, que mais que temer não ter teu amor, teme o desprezo e a indiferença.
Guardo a louca que preenche os dias vazios com fantasias da tua presença. Que te adora e que faz da tua ausência a única companhia.
Guardo a menina que cala por ser covarde demais.
Guardo a garota que sonha, simplesmente por não ser capaz de viver.
Guardo aquela que te desenhou perfeito e te criou longe das falhas e vicissitudes.
Guardo quem guarda um amor que transcende os limites da razão e da existência. Amor que você teima em afastar com sopros de realidade...
Ms Ladybug

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Acabara de ler frases de um amigo, de um conto a muito escrito, mas original, de todo, como sempre!

Nele, a citação de Adiós Nonino, o fez querer reouvir. E assim tocava das caixas para o ar. E do ar para os ouvidos. E dos ouvidos... não sabia ao certo, mas ele achava que não era só aos ouvidos que fazia reverberar. Ali no peito também tinha algo. Pegou ainda uma versão daquelas de ensaios, onde o som meio abafado faz lembrar de algo que nunca vira! Mas é como se estivesse lá na sala de Piazzolla, ouvindo-o tocar e lacrimejar pelas janelas em dia úmido.

Já estava com a matinal xícara de porcelana recém comprada e desde então preferida. Havia sido amor à primeira vista. Desde aquela prateleira poeirenta de mercado, a retirada sutil da caneca devido ao espanto de saber ser esta a caneca que o acompanharia por muito anos. Havia de especial um desenho que o representava, as cores que lhe agradavam e o formato. Ah, o formato era muito relevante na escolha, pois revelava a personalidade da companhia!

No chá, uma mistura do último saquinho de hortelã e o primeiro de camomila.

Ele, Piazzolla, a porcelana na mão, um gole entre risos e o sol se descortina das nuvens e se espalha pelo chão da sala, como um amigo chegado a pouco daquele passado que ele não previa.

Ainda com o cheiro do chá entre-narinas, da porcelana próxima ao lábio. Sentado ali, diante da janela, dá bom dia para o barulho lá fora. E ele sorri, e sorri.


Accul Fauzi

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Olhava aquele rosto na foto como quem olhava algo santo e ao mesmo tempo maldito. A boca seca e a sensação de não poder mais respirar. Cabeça zonza, pensamentos confusos e uma impressão de dor que não é dor, é a chama que consumia seu momento. Saudade...

Escutava a música com as próprias lágrimas e embalava o coração na batida de compassos que já se foram. Suspirava acordes perdidos e escrevia a trilha sonora perfeita para a chama que consumia seus sons. Saudade...

Escrevia longas cartas, descrevendo memórias, discorrendo lembranças. Palavras soltas, aperto no peito, sensação de abandono num roteiro que contava a história da chama que consumia sua poesia. Saudade...

Encarava o espelho estranhando o rosto que via. Media o arrependimento, chorava a distância, tentava alcançar o nada e repetia entredentes o nome do combustível da chama que consumia seus momentos, seus sons, sua poesia...

Descobria então que saudade não dói... ARDE!!!


Ms Ladybug

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Fui deitar sentindo um vazio, não sei dizer ao certo, mas foi como entrar em transe. Estava assistindo uma séria a qual assistia regularmente quando ainda morava com minha família. Acho que ao associar aquele momento a um lugar no passado, o vazio foi aumentando e me consumindo. O ar condicionado ligado no máximo, contribui para otimizar a sensação de vazio. Apaguei! Foi muito estranho. Acordo as 3:00 horas com a TV ligada e o quarto congelando, tento dormi, mas algo ainda me incomoda. Penso em ir trabalhar, afinal estou sem sono e poderei aproveitar a tarde de sexta feira, porém algo me diz que estava errado. Sigo meu instinto e resolvo tentar dormir novamente, são mais 2 horas de luta continua até que consigo cochilar. Logo meu despertador toca e desta vez luto contra o sono.

Engraçado, queria tanto senti-lo que quando consigo fazê-lo tenho que não senti-lo. Isso é frustrante! Tive que tomar um banho ainda com aquela sensação estranha e que ainda permanece dormente durante o dia. Estou sentindo medo, saudade, angustia e ainda tenho a impressão que ninguém gosta de mim. As coisas estão desmoronando ao meu redor, em minha vida. Isso é justo? Porque sempre passo por isso? Será que de todas as vezes que passei por isso não aprendi como lidar com esse sentimento? O sentimento é sazonal, mas sempre novo. Talvez tudo isso não passe de uma noite mal dormida devido à insegurança que emana do âmago de meu ser.

The Naked Runner