Deitamos com essas vozes e acordamos com o som de um despertador irritante, um banho ouvindo o barulho insuportável do chuveiro, uma xícara de café aquecida pelo barulhento microondas que encerra sua sintonia com o "plim"que me avisa que já posso bebericar meu chá. Chá? Não era café? Nem eu sei mais! Uma buzina me desorientou. Estou perdendo a noção de
tempo, acho que o ambiente de trabalho contribuiu, e muito. Quem teve a idéia de unir duzentas pessoas no mesmo andar com as mesas lado a lado e apenas uma divisória e alguns centímetros de tecido para abafar todo aquele barulho?São quatrocentos telefones tocando, duzentos teclados vezes dez dedos digitando.
Nosso pensamento tem que gritar para ser ouvido com nitidez ao lado de tanta loucura. Nosso corpo disparou o alarme, mas estamos tão acostumados que o ignoramos, assim como ignoramos o alarme daquele carro lá embaixo, tocando a duas horas, e ninguém faz nada! Quem disse que não? E a janela de vidro duplo? Não é uma beleza? Ela nos traz um pouco de silêncio. Encontrei uma dessas para os pensamentos inquietos que não se calam nem um segundo no âmago do meu ser. Com raiva no quarto fechado e frio, coloquei a mão sob o travesseiro e pow! Tarde demais, eu poderia saber um jeito de deter esses monstros, mas agora eles não me pegam mais.
Texto: The Naked Runner
Ilustração: Há Fael

2 comentários:
Eu entendo bem de janelas de vidros duplos! heheheh
Sinceramente, hoje em dia não consigo dormir se não houver barulho, o silêncio me angustia...
Sinais dos tempos?
Sinal do costume, acredito...
Bela imagem pra ilustrar!
Simplesmente, magnífico :) , parabéns!
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