domingo, 25 de novembro de 2007

Tinha tudo pra ser uma daquelas manhãs simples e corriqueiras, que você sai de casa e pega o ônibus. Ou pega um equivalente, como no meu caso. E o equivalente é um caminhão. Não, sem brincadeira, ando de caminhão pra ir ao trabalho. Quase no estilo pau-de-arara. Mas, mais sofisticado, pois as cadeirinhas coloridas e o MP4 de plasma me colocam num status melhor que qualquer peão de cerrado ousaria imaginar.
Bem, e assim vou pensando na vida, escrevendo na agenda, vendo a paisagem, conversando e flertando com o cobrador... trivialidades.
Quantas vezes já me peguei não querendo ser óbvio!
Quantas vezes exitei pra não cair na mesmice!
E quantas vezes deixei de fazer algo simples porque não quis apelar pra crueldade de ser comum.
E no início dessa manhã algo me fez sair decidido a mudar coisas que a muito eu não ousava. Sabe-se lá, por medo de ser banal, de cair na rotina, de ser eu mesmo...
Sabe quando o sol invade a sala e você não está preparado pra luz, daí você fecha os olhos e esquece-se de ver os tons, as coisas boas, de sentir o calor, de saber das alegrias... por puro desacostume com a intensidade inicial?
Sabe o que engana mais?
Que esquecemos que a luz vai se apagando. Que o medo que sentimos por essa “intensidade inicial” se transforma em “fagulha final”, quando não atiçamos. E geralmente esperamos por novos e renovados fachos cegantes! Que é pra ter medo e justificar.
Porque, dá trabalho abrir os olhos... e renovar a si mesmo.
Oh, e como!

Texto: Accul Fauzi

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Ruído

Chega um momento do dia em que tenho vontade de sentir um silêncio absoluto, que todos ao meu redor desapareçam por alguns segundos. Mais uma vez culpo a sociedade de estarmos vivendo o caos sonoro. Vamos deitar acostumados com barulhos e ruídos de todos os tipos, é o som do transito caótico que não para, um grilo sobrevivente, passos no andar de cima, vozes em nossas cabeças.

Deitamos com essas vozes e acordamos com o som de um despertador irritante, um banho ouvindo o barulho insuportável do chuveiro, uma xícara de café aquecida pelo barulhento microondas que encerra sua sintonia com o "plim"que me avisa que já posso bebericar meu chá. Chá? Não era café? Nem eu sei mais! Uma buzina me desorientou. Estou perdendo a noção de
tempo, acho que o ambiente de trabalho contribuiu, e muito. Quem teve a idéia de unir duzentas pessoas no mesmo andar com as mesas lado a lado e apenas uma divisória e alguns centímetros de tecido para abafar todo aquele barulho?São quatrocentos telefones tocando, duzentos teclados vezes dez dedos digitando.

Nosso pensamento tem que gritar para ser ouvido com nitidez ao lado de tanta loucura. Nosso corpo disparou o alarme, mas estamos tão acostumados que o ignoramos, assim como ignoramos o alarme daquele carro lá embaixo, tocando a duas horas, e ninguém faz nada! Quem disse que não? E a janela de vidro duplo? Não é uma beleza? Ela nos traz um pouco de silêncio. Encontrei uma dessas para os pensamentos inquietos que não se calam nem um segundo no âmago do meu ser. Com raiva no quarto fechado e frio, coloquei a mão sob o travesseiro e pow! Tarde demais, eu poderia saber um jeito de deter esses monstros, mas agora eles não me pegam mais.






Texto: The Naked Runner
Ilustração: Há Fael

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Achei

Uma vez eu achei que tinha certeza do que eu queria, estava completamente errada.
E achei também que as pessoas realmente se interessavam pela beleza interior, que sendo boa, legal, solícita, companheira, culta e dedicada poderia me tornar uma pessoa interessante. Eu também estava errada, deveria ter investido mais do meu tempo em cultivar uma cintura fina, uma bunda empinada e um belo par de peitos.
Achei que estava cercada de grandes amigos, descobri que fui uma boa amiga pra vários, talvez até grande amiga pra alguns.. mas a contrapartida... prefiro nem fazer as contas, pois sei que também nesse aspecto da minha vida acabo perdendo.
Achei que nunca ficaria sozinha. Sim, eu tenho uma forte tendência a me iludir.
Achei que poderia escolher simplesmente não sofrer. MENTIRA!
Achei, ou melhor, decidi apostar na certeza de que quem eu amava (ou amo), merecia todo amor, carinho e admiração que eu dedicava a ele. Mais um grande erro. E imenso desperdício de tempo e sentimentos.
Achei que minha presença faria diferença, depois achei que a minha ausência faria. Descobri que muitas vezes simplesmente não faço.
Achei que o sucesso era a recompensa por um trabalho bem feito, e que ele vinha acompanhado de reconhecimento. Descobri grandes talentos extremamente esforçados, mas eternamente anônimos.
Achei que uma pessoa não poderia querer machucar outra deliberadamente e sem ter um forte motivo. Fui surpreendida pelo fato que tem gente que faz isso por diversão.
Já achei que felicidade fosse recompensa, também já achei que fosse destino, cogitei a idéia dela ser o caminho, consegui acreditar que fosse recompensa, pensei que poderia ser acidente ou incidente, questão de escolha, golpe de sorte, fator cármico, momentos, trajetória, estilo de vida, opção, roteiro e trilha sonora.
Hoje, tento não achar mais nada, porque acho que já nem tempo mais tenho pra isso.




Texto: Ms Ladybug

Ilustração: Há Fael

domingo, 4 de novembro de 2007

société

Ainda estou pensativo no que vi a algumas horas, estavamos seguindo nosso caminho quando fomos forçados a desviar de um obstáculo. Não era um obstaculo comum! Era um ser humano!! A reação foi rápida, de puro reflexo seguida de perguntas e reflexão!!!

Na minha cabeça passaram uma série de acontecimentos que podiam se encaixar na situação. Primeira poderia ser apenas um bêbado, que estava bem vestido às 20:30 de uma terça-feira estatelado na beira da calçada. Segunda, uma cara que foi assaltado. Terceira um cara que levou uma surra. Quarta uma armadilha pra nos assaltarem, afinal o cara estava com 80% do corpo na rua. Quinta um cara baleado, e ele estava ali se contorcendo.

Depois disso fiquei pensando! Que merda!! Não sei se sou só curioso ..... mas fiquei indignado imaginando quantas pessoas ignoraram o fato. Lembrei daqueles e-mails que nos mandam com uma historia sobre uma palavra amiga de ajuda!! Não devia ter lido, agora estou pior ainda. A
sociedade está criando uma forma tao egoista de se viver que você na sua proteção acaba tornando o mundo um lugar horrível de se viver. Você é unico e se precisar de alguem estará sozinho. Já começou só não quero ver como acaba!!

Ao som de Stone Temple Pilots - Plush

Texto: The Naked Runner
Ilustração: Há Fael